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Archive for julho \27\UTC 2011

O Consumidor Seguro não pode deixar de soar o alerta – até porque o artigo de Mike Elgan é um dos mais provocantes do ano.

Pra ir direto ao assunto, eis a íntegra, publicada pelo IDGNow, a partir de matéria do Computerwold:

O Twitter vai se tornar uma festa vazia

O Twitter estreou há cinco anos atrás, e pelo número de contas, é um dos maiores histórias de sucesso da Era das redes sociais.

A empresa se vangloria de 200 milhões de usuários e 350 milhões de tweets por dia, e essa é uma referência onipresente em todas as principais emissoras de TV. Hoje é uma colméia frenética de atividade. Milhões de pessoas confiam no serviço para notícias, comentários, atualizações de blogs e interação social. O Twitter está próximo de fechar um financiamento de US$ 800 milhões, o que eleva o valor da companhia para cerca de US$ 8 bilhões.

De repente, no entanto, o serviço se tornou obsoleto com o novo serviço Google+, e também pela falha da empresa em capitalizar nos cincos anos de oportunidades que teve e tornar-se indispensável.

É apenas uma questão de tempo até que o microblog se torne um fantasma. Aqui está o porquê:

O Google lançou sua nova rede social três semanas atrás. O site é uma tempestade social que vai afundar o Twitter.

O Google+ tem o mesmo esquema de “seguir” do microblog, em vez do “adicionar amigos” do Facebook. Isso quer dizer que você pode seguir qualquer um sem pedir permissão. A home da rede social da Google tem o mesmo estilo do Twitter, que apresenta as postagens das pessoas que você segue em tempo real.

Seguir assimetricamente e receber feeds instantâneos são dois dos quatro núcleos do Twitter. O terceiro é a brevidade. O Twitter restringe as mensagens aos famosos 140 caracteres. E o quarto é um aplicativo que permite que companhias vejam a home de outras e façam coisas interessantes com as informações.

Mas é apenas uma questão de tempo antes que o Google+ tenha os quatro atributos do Twitter.

Muitos usuários do microblog gostam da limitação dos caracteres, ou melhor, do fato de que os mais falantes são obrigados a ser concisos. O resultado é sucinto, apesar de muitos usuários postarem links para blogues e artigos.

O aplicativo do Google que está a caminho vai permitir que companhias terceirizadas apresentem a rede social em formato “cascata”, parecido com o Twitter, com links e postagens completas. Todos que gostam da brevidade dos posts do microblog também pode visualizar mensagens curtas no Google+. Mesmo sem esses aplicativos, as pessoas já podem fazer isso. Guy Kawaski, bloguer, investidor e empresário do Vale do Silício, por exemplo, já construiu uma página chamada “Pluserati”, que apresenta versões curtas das cinco postagens mais recentes de grandes usuários na rede social da Google. Ao passar o mouse sobre a versão curta, visualiza a completa. Clicando na postagem, vê a mensagem original.

Enquanto o Google+ em breve fará tudo o que o microblog faz, o Twitter não tem suporte para uma longa lista de coisas que a concorrente tem. Conversas, por exemplo. Cada post do Google+ permite que os usuários podem ter uma detalhada e satisfatória conversa sobre a mensagem. No Twitter, comentários são estranhos, porque quando comentamos, nossas palavras não são vistas pelos seguidores de quem publicou a mensagem original, mas o comentário é visto pelos seus seguidores, que não viram a mensagem do seu interlocutor. Você vê muitas respostas a tweets que não leu. Para um serviço social, o Twitter é bastante antissocial.

No Google mais você também pode postar fotos e vídeos diretamente nas atualizações, fazer videochamadas, enviar publicações para não membros e até mesmo apresentar sua página como um blogue disponível a todos que têm acesso à internet.

Por exemplo, de 175 milhões de contas registradas, apenas 119 milhões estavam realmente seguindo alguém em abril. Se você segue ninguém no Twitter, não visualiza nenhuma postagem, além das suas próprias. Apenas 85 milhões de contas tinham um ou mais seguidores. Se ninguém te seguir, não se comunica com ninguém. Você não é realmente um “usuário” se não usa o serviço.

O Twitter define como “usuário ativo” quem segue 30 perfis e tem ao menos 10 seguidores. Uma fonte com acesso ao aplicativo do Twitter que foi citada pela Business Insider em abril disse que havia apenas 21 milhões de contas no microblog que atendiam a esse critério.

O Google+ provavelmente tem mais de 21 milhões de inscritos hoje, embora o número de “usuários ativos” não tenha sido publicado. Em outras palavras, o número de usuários que aderiram ao recente Google+ é igual à quantidade de usuários ativos que o Twitter conseguiu em cinco anos.

O microblog é extraordinariamente vulnerável, especialmente porque os usuários do Google+ são do mesmo tipo que pessoas que querem usar o serviço: especialistas, empresários, bloguers e pessoas envolvidas na política. Além disso, a nova rede social vai apelar com todos os tipos de internautas frustrados com o Twitter: jovens, refugiados do Facebook e massas de pessoas que não querem aprender os códigos e gírias únicas do microblog.

Eu acredito que a maioria das contas mais ativas no Twitter também estarão no Google+ poucos meses depois de a gigante das buscas tornar o site público. Mas a maioria dos usuários da nova rede social não estarão no microblog.

Também prevejo que um crescente número de links no Twitter vai direcionar os seguidores a posts no Google+, onde uma conversa pode acontecer.

O Twitter vai se tornar uma festa vazia, um lugar onde a maior parte das mensagens serão publicadas automaticamente a partir de serviços em que as pessoas estão realmente ativas, e onde muitos links levarão os usuários a outras redes sociais para poderem conversar.

As celebridades irão preferir o G+ por causa das fotos, vídeos e compartilhamento viral que vai dar mais controle sobre suas imagens e porque isso proporciona acesso a uma maior audiência em potencial para as publicações.

Especialistas irão gostar do G+ por ser melhor para crowdsourcing e retorno.

Os bloguers vão preferir o G+ por ser uma plataforma com menos fricção, com a maioria dos atributos sociais do Tumblr. Diversos bloguers proeminentes já abandoaram os blogues e usam apenas o Google+. No future, muitos irão usar a plataforma da rede social ou irão atualizar o G+ fora do serviço em blogues personalizados.

Hoje o Twitter ainda tem muitos fãs e defensores, mesmo no Google+. O microblog é atualmente um megafone melhor que o novo concorrente, é melhor para falar com um grande público sem tê-los engajados. É muito melhor hoje para notícias rápidas porque todas as novas fontes estabeleceram feeds para o Twitter. É mais fácil para mensagens curtas, diferentemente do Google+, que é prolixo e demorado. E o Twitter permite ser anônimo, o que é melhor para pessoas que querem criticar governos repressivos.

Mas isso é hoje. Amanhã, a maioria ou todas essas vantagens serão apagadas pelas melhorias no G+, como a criação de complementos e aplicativos e a participação de empresas, publicações e muito mais gente.

Não vejo como o Twitter pode se defender. Quando você soma o que o G+ faz hoje e o que ele pode fazer amanhã, é claro que o Twitter está perfeitamente obsoleto”.

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Vocês sabiam que o seguro de automóvel pode variar bastante de preço por causa do sexo do consumidor?

Vamos explicar: Em geral, homens são considerados mais imprudentes pelas seguradoras e, por isso, “pagam um pato” mais caro quando adquirem o produto.

Para ter idéia da diferenciação, faça uma cotação em qualquer companhia e só mude aquele campo em que se responde se é homem ou mulher.

Podemos garantir que as diferenças podem ser bem discriminadas.

E isso está certo? Bem, o Consumidor Seguro, que prega a igualdade de todos perante a lei, normas e posicionamentos, concorda com o artigo de Arthur Rollo, publicado no Consultor Jurídico:

Homens e mulheres devem pagar o mesmo por seguro

Adotado pelo mundo afora e, segundo seus defensores, fundamentado em regras atuariais rígidas, o seguro perfil é muito utilizado no Brasil. A partir de diversos questionamentos sobre os hábitos de vida do proponente é traçado um perfil de risco segundo o qual é calculado o prêmio, que a importância que o segurado terá que pagar para proteger seu bem.

Existem questionamentos que são formulados pelas seguradoras, em relação ao seguro de automóveis, absolutamente impertinentes, como, por exemplo, se o segurado reside com adolescentes. A utilização do veículo segurado por pessoa inabilitada e incapaz exime a seguradora do pagamento da indenização, por configurar culpa exclusiva do segurado.

O grande problema do perfil é que, a partir dele, são encontradas justificativas diversas por parte das seguradoras para o não pagamento da indenização. Por exemplo, se o segurado afirma que possui garagem na sua residência e, por uma noite apenas, pernoita em casa de amigo e deixa o carro na rua, tal circunstância já é suficiente para o não pagamento da indenização, caso o sinistro aconteça justamente nesse dia.

Da mesma forma, aquele consumidor que sempre deixa o carro em estacionamento quando vai à faculdade e, em uma situação isolada, estaciona na rua por não encontrar vaga, perde direito à indenização segundo as seguradoras caso o sinistro aconteça nessas circunstâncias.

Qualquer mudança pontual no comportamento do consumidor, decorrente até mesmo de razões circunstanciais, é vista como má-fé ou declaração inexata do consumidor para eximir a seguradora, nos termos do artigo 766 do Código Civil, do pagamento da indenização.

O risco securitário deve levar em conta aspectos objetivos e previstos em lei e não regras atuariais fundadas em bancos de dados alimentados pelas próprias seguradoras que, muitas vezes, divergem até mesmo das estatísticas oficiais. É um absurdo, por exemplo, mulher pagar menos do que homem, a partir de uma afirmação constitucional de que homens e mulheres devem ser tratados da mesma forma. A justificativa para isso está nas estatísticas de que homens são mais imprudentes do que as mulheres no trânsito.

Isso, por óbvio, não é uma verdade absoluta e leva a inúmeras injustiças.

A par das injustiças de ordem prática, não há dúvida acerca da inconstitucionalidade da medida, porque, conforme ensina Celso Antônio Bandeira de Mello “o fator diferencial adotado para qualificar os atingidos pela regra não guarda relação de pertinência lógica com a inclusão ou exclusão no benefício deferido ou com a inserção ou arredamento do gravame imposto”.

As distinções de tratamento devem ter base na lei ou decorrer de um conjunto harmônico de leis. Se o objetivo de desigualar não consta inequivocamente da lei, ainda que de maneira implícita, a distinção atenta contra a isonomia. Homens e mulheres podem receber tratamento distinto quando a lei assim prevê, como, por exemplo, em relação à licença pelo nascimento de filho e ao tempo de aposentadoria. Não existe lei que permita essa distinção no caso de seguro de automóveis.

A nosso ver, o seguro perfil de automóveis acaba sendo uma forma da seguradora estipular o prêmio que bem entende, de acordo com a “cara do freguês”. Isso porque não são incomuns os casos de diferentes valores de prêmios orçados para uma mesma pessoa, nas mesmas circunstâncias, para a mesma seguradora, no mesmo dia. O que justifica essa variação de preço? O seguro perfil também acaba prejudicando a comparação dos preços entre as seguradoras, dificultando o exercício da liberdade de escolha pelo consumidor.

A definição do grau de risco é da essência do contrato de seguro mas deve levar em conta fatores objetivos e previstos em lei. Os critérios que vêm sendo adotados hoje pelas seguradoras, que levam em conta o sexo e a idade dos proponentes por exemplo, são inconstitucionais, porque não têm respaldo na lei e porque o fator de distinção não tem relação lógica com a cobrança maior ou menor no valor do prêmio. O perfil até pode ser utilizado mas levando em consideração fatores objetivos, como o preço do veículo e local de circulação, e outros previstos em lei.

De qualquer forma, as seguradoras não podem, pura e simplesmente, deixar de pagar as indenizações, alegando declarações falsas ou inexatas nos perfis. A culpa e as declarações inexatas por parte dos consumidores dependem de provas que devem ser feitas pelas seguradoras em sede de processos judiciais. Primeiro a indenização deve ser paga e depois a questão deve ser discutida na Justiça. Não é como acontece hoje que a seguradora deixa de pagar, para jogar o ônus da demanda judicial para o segurado”.

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O Brasil surfa em indicadores invejáveis – desemprego em nível historicamente baixo, mais de 40 milhões de pessoas que entraram na classe C (e que começaram a consumir de tudo, inclusive seguros), até a situação quase surreal de ser o quarto maior credor dos Estados Unidos . Mas nem tudo é um mar de rosas…

O aumento da renda e do poder aquisitivo do brasileiro, apesar das manobras do governo para limitar o crédito e frear a inflação – em grande parte através da manjada política dos juros altos – acabariam por gerar alguma conseqüência – boa, ruim, muito ruim, enfim – para nossos bolsos, claro.

E mesmo com o mercado de seguros projetando crescimento recorde e ganhos também inéditos, temos de se deparar infelizmente com as estatísticas comprovam o aumento do seguro de automóvel. Com a devida pausa para respirar: em nível duas vezes maior ao da inflação!

A notícia é do Jornal da Tarde, com autoria de Marília Almeida e, por interessar muito ao Consumidor Seguro, reproduzimos a matéria na íntegra. Boa leitura!

“Em SP, seguro de automóveis sobe mais que o dobro da inflação

O seguro do carro está mais caro. No primeiro semestre, os preços na Região Metropolitana de São Paulo aumentaram 9%, bem acima da inflação no mesmo período, que foi de 4%, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A alta está relacionada ao aquecimento da economia, segundo especialistas do setor. “Desde 2006 o mercado de automóveis cresceu 125% em termos de número de unidades. Isso cria uma pressão nos preços: há uma busca maior pelo seguro do automóvel”, explica o professor do curso de Gestão de Concessionárias da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Valdner Papa.

Grande parte destes compradores pertencem à classe C, que adquiriu maior renda, teve acesso ao crédito e comprou seu primeiro carro, diz Antonio Penteado Mendonça, professor da Faculdade de Administração (FIA). Segundo ele, isso também contribui para a alta dos preços das apólices. “Existe mais possibilidade de acidentes, pela falta de prática dos novos condutores na direção e de congestionamentos na cidade, por causa do aumento do volume de veículos. Tudo isso torna o seguro mais caro”.

O aumento dos roubos e furtos de automóveis também colabora para o aumento do valor da proteção. Porém, Papa verifica que o número de ações criminosas cresceu proporcionalmente ao de novos carros na cidade. Em regiões com maior incidência dessa prática, o seguro encareceu.

A Lapa, por exemplo, lidera os índices de furto e roubo de carro nos cinco primeiros meses do ano, segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública, o que influencia segurados que residam ou trabalhem no bairro. Este tipo de crime também é comum em Perdizes e Pinheiros.

Segundo Papa, quem quer economizar encontra opções no mercado. “Há uma grande concorrência e várias alternativas para comparar. A grande diferença no preço está nos adicionais oferecidos, como serviços 24h e assistência diferenciada, que podem corresponder a até 40% do valor do seguro. A contratação deve estar vinculada à necessidade”.

Mendonça reforça que o preço não deve ser o único ponto observado. “É preciso verificar condições importantes escritas na apólice, como por exemplo, a cobertura do seguro para o caso do carro estacionado na rua ser furtado. É bom avaliar se vale a pena optar por um seguro mais barato, mas não receber indenização nestes casos. Vale realizar uma pesquisa entre cinco companhias diferentes com um corretor que conheça o mercado”, conclui.

A dona de casa Elisângela Chiceri, de 37 anos, conta que quando o seguro do seu carro aumentou, ela preferiu analisar outras opções. “Foi um aumento de R$ 1,1 mil para mais de R$ 1,5 mil. Acabei achando outro seguro por um preço menor”. A professora Claudete Cruz, de 55 anos, também mudou de estratégia este ano. “O plano aumentou de R$ 1,4 mil para R$ 2,5 mil. Achei um por R$ 2 mi. Preferi não ter convênio com estacionamentos, por exemplo”.

O consultor hoteleiro Arnaldo Tonini, 43 anos, é uma exceção. Ele acumulou bônus por não ter sinistros durante longo período e obteve 10% de desconto na última renovação.

“Isso fez com que eu pagasse o mesmo valor que havia pago no ano passado”. Tonini mora na zona norte e acredita que isso contribuiu para manter o preço estável. “A região não tem muitos roubos de carro”.

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Mais uma vez o Consumidor Seguro vai em busca de temas atuais que, em maior ou menor grau, atinge a todos cidadãos brasileiros e universais.
Só por isso – e não é pouco – a gente traz a entrevista com a empresária americana Lisa Gansky. Ela fala para Revista Época que o futuro dos negócios passa pelo aluguel de produtos e serviços.

Portanto, é hora de compartilhar:

A empresária americana Lisa Gansky tem um teoria ousada.

Fundadora de algumas empresas da internet, defende que o futuro dos negócios é o compartilhamento de produtos e serviços.

Segundo sua tese, as pessoas não vão mais possuir coisas. Elas vão apenas ter acesso a elas.

Para que comprar um carro, gastar com seguro e manutenção se você pode alugar o do vizinho? Para que investir em roupas caras para o seu bebê (que espicha rápido) se você pode trocar peças com mamães de filhos já grandinhos?

Lisa aposta que, com a ajuda das mídias sociais e da tecnologia, pessoas, serviços e empresas irão se encontrar com mais facilidade para trocar ou compartilhar.

A ideia está no livro “Mesh: porque o futuro dos negócios é compartilhar”, recém lançado no Brasil.


ÉPOCA – A senhora defende que o futuro dos negócios é compartilhar. O que significa exatamente?
Lisa Gansky – Os negócios tradicionais seguem uma fórmula simples: criar um produto para vendê-lo e ganhar dinheiro. Nos últimos anos, surgiu um modelo fundamentalmente diferente, segundo o qual o consumidor tem mais opções, mais ferramentas, mais poder. As empresas mesh, como costumo chamar este novo conceito, usam as mídias sociais e as redes sem fio para disponibilizar bens e serviços às pessoas. Sem que elas tenham o custo e o trabalho de possuí-los totalmente. Há aí uma grande oportunidade de fazer dinheiro.

ÉPOCA – Isso já começou a acontecer?
Lisa – Não tenho dúvidas que sim. E me refiro ao compartilhamento de uma maneira geral. Estamos criando uma economia onde o acesso a bens, serviços e talentos vence a propriedade deles. Existem muitos exemplos hoje. Temos um site para concentrar as empresas Mesh. Há milhares delas. Só para citar algumas, temos a Netflix e Lovefilm (serviços de aluguel virtual de filmes e programas de TV), Pandora, Spotify e MOG (serviços de acesso à música pela internet), Amazon e Fedex. Já temos mais de 3.800 empresas em 30 categorias diferentes. Em setembro do ano passado, havia 1.200. É um crescimento rápido.

ÉPOCA – Quando essa tendência começou?
Lisa – Na década anterior, começaram a surgir empresas mesh de produtos digitais e serviços. Agora estamos vendo uma grande variedade de marcas e empresas que oferecem produtos físicos: carros, motos, casas, escritórios, ferramentas, serviços públicos. A internet e os dispositivos móveis habilitados para GPS facilitaram o acesso entre as pessoas que querem compartilhar. Em muitos casos, ter acesso a bens e serviços é mais barato e conveniente do que possuí-los.

ÉPOCA – A crise financeira nos Estados Unidos e na Europa facilitou o crescimento desses negócios?
Lisa – Por causa da recessão econômica, pessoas e empresas têm reconsiderado a relação entre o custo e o valor real das coisas. Por exemplo: nos Estados Unidos e na Europa, os carros são usados apenas 8% do tempo. Nos outros 92%, ficam parados. Isso é muito caro. O valor do tempo não utilizado é lixo. A estratégia mesh nos permite converter o desperdício em valor. Disponibilizamos o que não usamos para que outras pessoas possam aproveitar.

ÉPOCA – Dentro desta visão, o capitalismo passaria por uma transformação radical…
Lisa – Os modelos de negócios estão mesmo mudando. As empresas tradicionais, que vendem produtos, já estão experimentando a micro-locação como uma oportunidade de atrair novos clientes. A montadora alemã Daimler, por exemplo, lançou o car2go, um serviço de compartilhamento de carros. Parece contraditório, porque eles vendem automóveis. Qual seria o interesse de alguém que vende carros em alugá-los? A empresa está conseguindo alcançar outro tipo de cliente, que provavelmente não compraria seus veículos agora. Esse conceito também convida as empresas e entidades públicas a criar coisas melhores. Produtos mais flexíveis, duráveis, atualizáveis, em rede e recicláveis. As empresas que já testam essas ideias sairão na frente. E ganharão o agradecimento de novos tipos de clientes e parceiros.

ÉPOCA – Qual é o futuro do capitalismo?
Lisa – Eu sou uma empresária. Vejo oportunidades em todos os lugares. A diferença agora é que eu enxergo as oportunidades sob a ótica de um novo conceito, pelo compartilhamento. Para continuar, o capitalismo não pode mais ser sinônimo de contratos perpétuos e alienação de bens, sem considerar o custo verdadeiro dos resíduos.

ÉPOCA – Pelo conceito de compartilhamento, as pessoas não vão mais possuir coisas. Apenas ter acesso. Elas estão preparadas para mudar?
Lisa – Sim e não. Varia de acordo com a cultura, a cidade, a situação. Uma mesma comunidade pode compartilhar uma bicicleta ou uma ferramenta com o vizinho e, ao mesmo tempo, não aceitar um serviço de troca de roupas. Espero que isso mude com o tempo. Temos de entender que não precisamos abrir mão da casas de férias, do barco ou do carro. Com a variedade de serviços mesh, as pessoas podem ter exatamente o repouso ou o barco que querem. Onde e quando quiserem. Mas sem ter os aborrecimentos da propriedade.

ÉPOCA – A ideia de compartilhar reduziria o consumo e a fabricação de novos produtos. Isso estressaria menos o planeta? Pode ser parte da solução para as mudanças climáticas?
Lisa – Sim. Uma feliz consequência dos negócios em rede é que vamos usar mais o que já temos e gerar menos resíduos. É um impacto positivo enorme nas mudanças climáticas. Nossas cidades hoje já estão cheias de exemplos de partilha: edifícios de apartamentos, estradas, pontes, parques, estádios, sistemas de transporte, restaurantes. Nós dividimos todas essas coisas. Elas são projetadas para serem compartilhadas. A densidade nas cidades favorece os serviços de rede.

ÉPOCA – A economia brasileira está indo bem, as classes C e D estão escalando a pirâmide social. Pela primeira vez, essas pessoas podem comprar um computador, um carro… Você acha que o compartilhamento vai pegar por aqui?
Lisa – Na maioria dos casos, não espero que as pessoas mudem seus sonhos e o modo de vida. Elas só vão optar por serviços mesh quando eles forem convenientes. Se derem acesso a coisas que antes essas pessoas não teriam. Esses negócios têm de aumentar nossa felicidade, reduzir nosso estresse. Se não fizer isto, não são sustentáveis!

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Qual o limite ético da ciência? Que parâmetros de risco um plano de saúde pode usar para precificar seus serviços? Um exame de sangue que informa a expectativa de vida de uma pessoa poderia ser usado pelas operadoras de saúde e seguradoras de vida para fazer projeções mais rigorosas de sinistralidade?

Quantas perguntas podemos fazer ao lermos que, no ano que vem, será lançado um teste que mostra quanto o indivíduo está envelhecendo biologicamente? A “invenção”, que deve chegar ao mercado britânico em 2012, segundo o site Pop Sci, tem como objetivo prever quanto tempo de vida o paciente ainda tem:

“O teste, que foi desenvolvido no Centro Espanhol de Pesquisa de Câncer, mede os telômeros do indivíduo, estruturas encontradas nas pontas dos cromossomos. De acordo com o site, o comprimento dos telômeros, aparentemente, está relacionado com a rapidez com que uma pessoa está envelhecendo biologicamente e, portanto, podem dar uma ideia do quanto o corpo ainda pode sobreviver.

Segundo o site, aquelas pessoas com telômeros mais curtos do que o normal terão uma menor expectativa de vida média e os indivíduos com os telômeros maiores, terão anos a mais.

Os críticos veem a novidade como um grande problema. Para eles, as seguradoras podem começar a exigir o teste para determinar a taxa do seguro de vida e as seguradoras de saúde também. Fora isso, os críticos acreditam que podem surgir várias fraudes na medicina, que irão prometer o aumento dos telômeros.

O exame deverá ser comercializado pela empresa Life Length, que está em negociações com empresas de diagnósticos médicos por toda a Europa e deverá custar em torno de US$ 700”.

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O mundo anda muito estranho e, por que não dizer, cada vez mais inseguro. Neste ano, a gente já viu terremotos e tsunamis de proporções gigantescas, que provocaram grandes perdas para seguradoras e resseguradoras, além de revoluções populares contra ditaduras decanas e vazamento de informações diplomáticas que envolvem alguns dos mais importantes atores da geopolítica global.

A jornalista Monica Waldovogel captou a turbulência dos últimos meses e, via Twitter, afirmou que “beatificamos um papa, casamos um príncipe, fizemos uma cruzada e matamos um mouro. Bem vindos à Idade Média!”.

Mas e quando a polêmica gira em torno de um vírus, causador de epidemias de largo impacto nas populações afetadas, gerando perdas de milhões de vidas?

A parada é que o microorganismo causador da varíola, erradicada há três décadas, continua vivo!

Só para recordar, a doença é considerada uma das mais letais da história. Durante séculos, matou cerca de um terço de todas as pessoas infectadas, incluindo a Rainha Mary II da Inglaterra.

Mas, como saiu no Último Segundo, baseada em informações da Associated Press, o vírus é mantido sob segurança máxima em dois laboratórios – um na Rússia e outro nos Estados Unidos. “No entanto, muitos países afirmam que o mundo seria mais seguro se estas amostras de vírus fossem destruídas”, afirma o texto.

A desculpa, segundo a reportagem, é que as cepas são essenciais no caso de uma futura ameaça biológica que exija mais testes com o virus, além de serem necessárias para a pesquisa de desenvolvimento de vacinas experimentais.

Entretanto, o especialista que liderou os esforços da Organização Mundial da Saúde (OMS) para erradicação da varíola na década de 1970, Donald Henderson, entende que “seria uma excelente idéia destruir as amostras. Este é um organismo a ser temido”.

A verdade é que a comunidade científica parece dividida. Não obstante, um relatório feito por pesquisadores independentes concluiu que não havia razão científica para manter o vírus vivo.

E então, para apimentar um pouco mais essa história toda, surge quem discorda de Henderson, como Nils Daulaire, diretor do Departamento Americano de Saúde e Serviços Humanos do Gabinete de Assuntos Globais.

Daulaire reconhece que as amostras são necessárias para que funcionários dos Estados Unidos possam se prevenir contra (ou usá-lo como?) ataques de terrorismo biológico!

Que mundo estranho e inseguro. Então tá!

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Como assim? Realmente por essa a gente não esperava, mas sabiam que há pelo menos um país onde é legalmente aceito o “suicídio assistido”?

Novamente não vamos emitir juízo de valor, mas realmente vale como reflexão sobre o nosso mundo (seguro? inseguro? pós-seguro?) em que a ética médica deve estar sempre em pauta no exercício da profissão, mas esse é um conceito amplo e quem somos nós para julgarmos?

Por isso, vale essa leitura. Como noticiou o site BBC Brasil:

Os eleitores de Zurique, na Suíça, rejeitaram propostas para limitar a prática do suicídio assistido na cidade, segundo as projeções das contagens de votos do referendo sobre o tema.

As projeções indicam que apenas 14% dos eleitores votaram a favor da primeira proposta, que proibiria totalmente a prática do suicídio assistido.

A segunda proposta, que pretendia proibir estrangeiros de aproveitar as leis locais para praticar o que ficou conhecido como “turismo do suicídio”, obteve o apoio de apenas cerca de 20% dos eleitores.

O suicídio assistido, prática em que uma pessoa portadora de doença terminal ou deficiência grave recebe auxílio para pôr fim à vida, é legal na Suíça há décadas.

Nos últimos anos, Zurique vinha ganhando atenção pelo trabalho de organizações não governamentais que praticavam o suicídio assistido. Muitos dos “clientes” das organizações eram estrangeiros, principalmente da Alemanha e da Grã-Bretanha, países nos quais a prática é proibida.

Direito individual

O resultado do referendo sobre o suicídio assistido reflete a crença amplamente disseminada entre os suíços de que é o direito pessoal de cada indivíduo escolher quando e como vai morrer.

E a rejeição da proposta para limitar o suicídio assistido apenas aos moradores de Zurique mostra que as preocupações sobre o “turismo do suicídio” pesou menos com os eleitores do que suas convicções de que o direito de morrer como se quer é universal. O debate sobre o turismo assistido na Suíça, porém, deve continuar.

As pesquisas indicam que os eleitores querem uma legislação nacional mais clara, estabelecendo os casos nos quais a prática é permitida – apenas para os doentes terminais ou também para aqueles com outras doenças crônicas ou até mesmo mentais.

Também há um grande desejo de que o governo estabeleça regras sobre as organizações que oferecem o suicídio assistido.

Entre as regras que podem ser estabelecidas estão a periodicidade com que elas precisam acompanhar seus pacientes e, num ponto crucial para os estrangeiros, por quanto tempo o processo de aconselhamento deve se desenvolver até que o suicídio assistido é aprovado.

O governo suíço deve propor uma nova lei sobre o tema nos próximos meses”.

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